Eflúvios Literários

Sexta-feira, Dezembro 04, 2009

Cortázar/Divertimento
[provavelmente falso]
Caía sempre das cadeiras e prontamente advertiram que era inútil procurar sofás profundos ou cadeirões com braços altos.
Ia sentar e caía.
Às vezes para trás, quase sempre de lado.
Mas se levantava sorrindo porque era bondosa e compreendia que as cadeiras não estavam alí para ela.
Acostumou-se a viver de pé.

Segunda-feira, Maio 21, 2007


ontem foi lindo.

Sexta-feira, Novembro 10, 2006

Outro dia comprei um shampoo que me prometia um 'brilho invejável'.

Foi a última coisa que me fez ter certeza de que os nossos valores estão mudando.
Passo a passo, a tv e as propagandas vão inculcando nas pessoas esses novos valores, despertando nelas um tipo de desejo que carrega uma permissividade absurda, uma naturalidade forçada que, como esperado, passa despercebida.
Comecei a pensar sobre quando vi uma propaganda em que um garotinho fofo ia citando com perfeição as multi-funções de um veículo de luxo, enquanto este aparecia na tela. Quando termina a lista, ele pergunta ao pai se estava correto, já com a câmera focando sua carinha feliz. O pai gatão responde com um sorriso simétrico-perfeito que sim, e pergunta se ele vai contar aos coleguinhas sobre sua nova aquisição. O garotinho, que é realmente muito cheio de graça e desenvoltura, conta que não, vai contar é para o novo marido da mamãe - aquele mala.
Confesso que fiquei chocada, não sei mais onde vamos parar com toda essa mesquinharia pregada e seguida à risca pelos telespectadores, que se deixam seduzir.

Hoje minha mãe me disse que meu cabelo está com um brilho invejável.

...

Hoje amanheceu frio e chuvisquento. E ficou assim o dia todo. Eu fico pensando mais sensivelmente nesses dias, acho.

Pensei triste apertadinha nas árvores que vi serem cortadas por causa de um muro. Um muro! Eu chamei o moço que estava lá nos galhões de cima (era uma boa árvore) e pedi que ele não cortasse nada. Ele riu e deu de ombros, estava cumprindo ordens. Pensei então que não devemos nos sujeitar a qualquer função.

Pensei com pena e gana no cavalinho que puxa a carroça do moço que estava recolhendo uns entulhinhos no meu trabalho. Era um cavalinho branco e remelento, eu quis passar a mão nele mas tenho medo de mordida, eu sei que cavalo morde. Pensei então o quanto é estranho ver um bichão daquele tamanho assim, a poucos centímetros de distância, e pensei nas crianças de hoje e de amanhã (alusão a um futuro bem próximo) que nem vão ver esses bichos grandes e pequenos que eles sabem o nome e as formas dos desenhos, das fotos, sem cheiro, sem textura e sem vontade de pegar.
Pensei com carinho no almoço lindo que ganhei do moço lindo que eu gosto tanto. Foi um almoço que coube no meu horário apertadinho reservado para, na greta que fica partindo o meu dia pela metade. Pensei então que são poucas as pessoas que se querem com tanto cuidado, nesses relacionamentos baratos que nos apresentam na TV.
Pensei agradecida pela blusa de lã grandona e quentinha que me foi emprestada. Se não fosse por ela eu poderia ter piorado muito a minha gripe que é uma sinusite, e poderia chegar a desenvolver um pneumonia das brabas - além do incômodo gerado pelo 'passar frio' e pela umidade causada pelas mini gotículas que insistiam em cair hoje. E eu com minha regatinha de verão. Pensei então que meu amigo poderia ter ficado com frio depois, mas lembrei que ele tinha outro casaco e que mais cedo estava desfilando com um calor que para mim era inexistente, e esquci a minha culpa.
Pensei com saudade quando encontrei um amigo querido. A verdade é que andei faltando uns dias de aula, e como gosto muito desse companheiro em questão, percebi que a maior perda nesse tempo foi a sua companhia. Porque adoro chatear ele com minhas bobagens. Pensei então que era relevante o conteúdo que foi dado em sala de aula, e sem exitar tomei dele o caderno emprestado. É sem dúvidas meu colega mais cachião.
Pensei com alívio a minha chegada em casa no fim desta sexta-feira. Foi uma semana de muito passar mal e muito trabalhar. Pensei então que fico cansada e contente, gosto das minhas atividades como gosto de descansar.
hahahaha.
O mais engraçado foi que, no caminho de casa, vi um grupo de jovens felizes que se aproximavam de um desses carros velhos que os caras curtem, tipo opalão, e a única mocinha entre eles disse em um tom meio meloso "nossa, fulano, que carro mais lindo, eu nem acredito", e então fiquei pensando que para esse tipo de homem, um elogio desse naipe é uma puta amaciada no ego, como se a garota estivesse elogiando intimamente alguma parte do seu corpo ou seu desempenho sexual. Entende o ponto de vista?
Aí então eu achei muita graça desse pensamento, acho que foi o último do dia, ando tão cansada.
Fiquei bem feliz por ser eu mesma, agarrei com força o cabo da sombrinha que quase voava no meio da ventania e vim gritando "que friiiiiio" e rindo sozinha, descendo a rua.

Terça-feira, Outubro 31, 2006

Letra tortuosa, malfeita ou ininteligível.
Para os amigos donos de garranchos, minha homenagem:
ga.ra.tu.ja sf (ital grattugia) 1 Escrita com letras disformes, malfeitas e pouco inteligíveis (muito usado no plural); garafunhas, garafunhos, garavunha, gatafunhos e gregotins. 2 Esgar, momice, trejeito. 3 Tolice. 4 Garatusa.

Sábado, Outubro 07, 2006

Quase de manhãzinha fui te deixar no portão. Quando você foi embora eu senti os primeiros pingos de chuva caírem em mim...

Terça-feira, Outubro 03, 2006

(Foi um sonho...)

Você foi e eu fiquei, no vazio da sua presença.
Eu e suas costas frias.
Não sabe porque não se voltou: eu estive parada, de pés juntos, na ânsia de seu retorno.
Mas me voltei e nada vi, segui em minha estada.
Você e sua crueldade, eu e meus sonhos de algodão doce.
Sua indiferença que me desacata, me transtorna.
Eu e minha completude, que me anima, me leva a novos passos.
Suas mão nuas e minha alma nu, desiludida.
Seus olhos quentes e minha boca seca, já faz um tempo.
Se você soubesse, se pudesse sentir além das ações.
Mas tão rude com o sentimento purinho, não verás.
Não me acanho.
Nem me desencanto.
Simplesmente sigo na minha caminhada.

Novo rito

Se assim há de ser, assim será.
Um julgamento em mim, eu e minhas questões.
Denuncio-me, defendo-me, acuso-me, absolvo-me.
Tão absurdo e tão eminente, é latente minha necessidade.
Falto comigo, deixo-me ser.
Tremendamente pungente, hahaha.
Me pergunto, me auto-afirmo.
E se Deus é maior, eu peço: dê-me temperança.
Amém.

Segunda-feira, Outubro 02, 2006



Hoje estou para a poesia assim como os meus pés estão para as meias.

(com vontades...)